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21 de setembro de 2017

Vamos falar das estereotipias?

setembro 21, 2017 0 Comments

Vamos falar das estereotipias?


Balançar as mãos, bater os pés, girar objetos ou o próprio corpo, estalar os dedos, fazer sons repetitivos… são movimentos de autoestimulação ou também chamados de autorregulatórios, muito comuns em pessoas com autismo. São movimentos que pessoas neurotípicas também fazem, mas de forma menos intensa e têm controle sobre eles. Esse comportamento pode ser motivado para buscar sensações, proporcionar bem estar ou simplesmente pela tendência à repetições, que é uma condição do autismo.

Nossa vontade inicial é tentar conter esses movimentos. Pode parecer que, quando a criança está praticando uma estereotipia, está distraída e não conseguirá se concentrar. Porém, esses movimentos são, na maioria das vezes, inofensivos e podem até ser benéficos para a criança. Ao contrário do que parece, a criança fica muito mais concentrada nestes momentos.
Além disso, alguns momentos sozinha praticando estereotipias, podem auxiliar na na organização dos pensamentos da criança ou também quando estiver em uma situação de estresse. Muitos autistas conseguem pensar e se concentrar melhor enquanto fazem estes movimentos.
A estereotipia precisa ser tratada quando prejudica a criança, como quando ela costuma bater a cabeça, por exemplo. Também precisa ser regulada quando a prática compromete as atividades do dia a dia, restringindo seu aprendizado ou também limitando seu desenvolvimento social. Ou seja, precisa de tempo e local definidos, que a criança consiga visualizar o começo e fim. Ela precisa ter controle destes movimentos. Fazer terapia focada na regulagem da estereotipia pode auxiliar a criança a não ser controlada por esses movimentos, ampliando seus interesses, variando a forma de brincar com um mesmo objeto, ou respondendo de formas diferentes a uma mesma pergunta, por exemplo. Os pais podem contribuir neste processo não deixando a criança ociosa, proporcionando atividades prazerosas durante os horários livres do dia. Lembrando que é fundamental fazer esse processo gradativamente, nunca retirar o hábito bruscamente.
Uma prática que pode ajudar a controlar a estereotipia é utilizar cartões com cores (verde-pode / vermelho-não pode). Quando a criança estiver em uma atividade que não possa fazer seus movimentos, mostrar-lhe o cartão vermelho. Permitir em algum momento, mostrando-lhe o cartão verde e, quando for momento de parar, mostrar o cartão vermelho novamente. Essa tática pode ser adotada na escola ou outros lugares em que a criança esteja, para que pratique o auto-controle. Aos poucos, ela aprenderá a regular sozinha, podendo deixar de lado o uso dos cartões.
É importante também minimizar os estímulos que podem gerar estresse na criança. Muitas vezes, os movimentos repetitivos começam quando ela está em uma situação de estresse. Geralmente, os pais conseguem identificar melhor quais as sensações que a incomodam, como barulhos, cheiros, toques, luzes, etc. Nestes casos, eliminar ou reduzir estes estímulos reduzirá, consequentemente, os movimentos de autorregulação.
Outra dica legal é criar um meio de a criança comunicar que precisa de um tempo. Pode ser por imagem, gesto ou verbalmente, mas que o adulto entenda que ela precisa de espaço. Respeitar o espaço e a vontade da criança é fundamental!

17 de setembro de 2017

I Encontro do Grupo Soul F-84

setembro 17, 2017 0 Comments
Em fevereiro deste ano (2017) nasceu o GRUPO SOUL F-84 no whatsapp, criado pelo Terapeuta Ocupacional Daniel Natal, com o objetivo de dar um norte as famílias com TEA relacionados a terapias e oferecer troca de experiências entre pais e terapeutas  . Desde então o grupo vem crescendo e  fortalencendo seus laços, hoje somos uma família formada por 92 integrantes. 
Daniel Natal - Criador do Grupo

No dia 09 de setembro deste ano no Parque da Cidade, foi realizado o primeiro encontro desta família em crescimento e é claro eu não poderia está de fora! Em um belo piquenique compartilhamos um pouco das nossas histórias, choramos, sorrimos, trocamos abraços e flash´s. 



Ter um (a) filho (a) com TEA não é nada fácil, por muitas vezes nos sentimos sozinhos e fracos. O luto que todos falam parece que nunca acaba, ele renasce a cada obstáculo, porém é a fé em Cristo e o auxílio da família e amigos que nos fazem persistir. E isso é o que temos vivido e compartilhado no grupo, lá podemos ser nós mesmos, sem temer o "não ser compreendido", pois todos passamos pelas mesmas dificuldades.

Além do compartilhar as dores, também compartilhamos as alegrias das conquistas de nossos filhos, cada obstáculo vencido é festejado entre nós. O grupo continua em fase de crescimento e assim como o número tem ampliado os objetivos também. Nossa união também irá ultrapassar as nossas paredes e temos nos tornados  a  voz dos nossos filhos, juntos vamos lutar pelos direitos do autista! Como diz a velha frase "JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!"

Ao Daniel Natal vai meu agradecimento, por proporcionar essa aproximação entre nós pais e por se juntar a nossa luta! 

Que hajam mais encontros, que todos possam conhecer o AUTISMO!
Mais informação, Menos preconceito!


Segue mais fotinhas...





12 de março de 2017

Autismo nas palavras de uma mãe

março 12, 2017 0 Comments






2 de Abril é o dia Mundial da Conscientização do Autismo e nada melhor do que dedicar esse mês para abordar esse assunto que é tão complexo e tão  mal compreendido. Sou mãe de uma menina diagnostica com TEA desde os 3 anos, de lá pra cá temos aprendido a conviver e a compreender o autismo. Não sou muito dedicada aos estudos sobre o tema, dediquei esses anos mais aos cuidados com ela do que aos estudos, mas nesses últimos meses tenho me dedicado a aprender um pouco mais, nesse artigo e outros que estarei postando no decorrer do mês quero compartilhar com você um pouco desse aprendizado. Então vamos lá!



O que é Autismo.

Autismo é uma síndrome comportamental caracterizada por dificuldade de interação social, déficit quantitativo e qualitativo de comunicação e padrões de comportamento, atividades e interesses restritos e estereotipados.

Em 1911 Bleuler foi o primeiro a usar a palavra "autismo", definindo como perda de contato com a realidade de se comunicar. Daí veio o termo "autismo", auto= pra si própria.
 Em 1943 Kanner foi o primeiro pesquisador a publicar artigos descrevendo o comportamento típico do autismo. Em 1944 Asperger publicou artigos de casos de crianças com autismo, mas com inteligência "normal". Hoje depois de tantas pesquisas sabemos que é um distúrbio complexo do desenvolvimento comportamental, de etiologias múltiplas de graus variados, TEA - Transtorno do Espectro Autista. Mas o que vem  a ser espectro? Espectro no dicionário quer dizer sombra, ou seja, não é a pessoa propriamente dita, é apenas uma imagem formada pela luz quando bate nela, algumas pessoas apresentam leves características, outras apresentam muitas características.

Tipos de Autismo:

Antigamente o autismo era divido em 5 tipos:

- Autismo
- Síndrome de Rett
- Transtorno Desintegrativo da Infância
- Transtorno Global do Desenvolvimento não-específico
- Síndrome de Asperger

Hoje o DSM -V define o TEA com 3 graus:

- Leve
- Moderado
- Severo

Características do Autismo:

- Inadequação social ou tendência ao isolamento.
O isolamento nem sempre é completo, muitas vezes a criança consegue ir ao shopping, a festas, porém seu comportamento é inadequado, impróprio, ela não consegue fazer processos de interação de forma adequada.
- Pobre contato visual
- Indiferença afetiva ou inadequada, não demonstra está preocupada, não demonstra querer convencer...
- Dificuldade de auto percepção e percepção do que outro sente ou sente inadequado. Ela não consegue compreender que ela é um sujeito.
 - Comprometimento na atenção compartilhada, ou seja, dificuldade em direcionar o foco para um objeto e junto outra pessoa, não consegue cooperar ou dar continuidade na interação.
- Não manifesta emoções
- Não percebe presença de pessoas
- Não procura voluntariamente interagir com outras pessoas
- Não reconhece controle social
- Não vincula seus comportamento ao contexto sócio-afetivo

P.S.:É claro que nem todas as crianças diagnósticas com TEA apresentam todas essas características, minha filha apresentava muitas e ainda apresenta, mas hoje depois de 6 anos de intervenções ela já tem contato visual, já demonstra sentimentos, mostra o que quer, porém ainda temos muita estrada pela frente. repito todos os dias pra mim mesma, hoje é um novodia!

Fatores de Risco

1. Ter um irmão autista
2. Uma história familiar de esquizofrenia, de distúrbios afetivos e deficiência intelectual.
3. Maternidade e paternidade acima dos 40.
4. Peso ao nascer abaixo de 2500g
5. Nascer prematuro antes da 35 semana.

É claro que ainda há muito o que se saber a respeito do autismo, o que apresento a vocês é um breve resumo do que tenho lido e aprendido.